Análise: Shadow of the Tomb Raider

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A saga Tomb Raider é uma das mais icónicas de sempre na história dos videojogos, tanto pela sua longevidade, como por ter sido uma das pioneiras a introduzir uma personagem do sexo feminino como figura principal da história do jogo, algo que na altura foi visto como uma aposta inovadora e até destemida. Lara Croft não é apenas a protagonista do jogo. É também uma das figuras mais famosas da indústria dos videojogos, tendo sido adaptada para o cinema mais do que uma vez. O primeiro jogo da franquia foi lançado em 1996, com o nome Tomb Raider, pelo estúdio Core Design, da produtora Eidos Interactive, e foi desenvolvido para o MS-DOS e as consolas Sega Saturn e PlayStation. A história centrava-se em Lara Croft, uma arqueóloga britânica, aventureira e de figura atlética, que percorria o mundo em busca dos fragmentos do misterioso Scion. A receção ao jogo foi muito positiva, com mais de 7 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, e várias sequelas e spinoffs.

Em 2003 surgiu Tomb Raider: The Angel of Darkness, o 6º jogo da série original de Tomb Raider, com criticas que apontavam problemas na jogabilidade e maus controlos de jogo, acabando por comprometer a continuação do estúdio até aqui responsável pelo desenvolvimento dos jogos da saga. Em 2004, a Eidos decidiu passar para a Crystal Dynamics a tarefa de desenvolvimento dos próximos Tomb Raider. Em 2013, a saga já estava nas mãos da Square Enix, depois de ter adquirido a Eidos Interactive em 2009, mantendo o estúdio Crystal Dynamics, mas decidindo dar um novo rumo à série.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Esta mudança chegou na forma de um reboot, ou seja, uma nova história original para Lara Croft, que apesar de algumas diferenças, manteve a essência da personagem. O primeiro jogo deste reboot chegou em 2013, com o mesmo nome do primeiro jogo da franquia, Tomb Raider, o primeiro de três capítulos totalmente originais.

A nova Lara Croft revelou-se mais inexperiente e jovem do que as suas antecessoras, e pela primeira vez foi interpretada, tanto na voz como na captura de movimentos, por uma atriz real, Camilla Luddington. A nova Lara foi posta à prova numa expedição a Yamatai, uma ilha imaginária perto do Japão, onde outrora comerciantes portugueses e exércitos americanos e japoneses já tinham naufragado. Aqui encontra o túmulo de Himiko, uma obscura rainha xamanista de Yamatai do antigo Japão e Deusa da Morte, que encerrava no seu túmulo uma maldição letal. É nesta sua primeira aventura que Lara Croft desenvolve algumas das capacidades de sobrevivência que mais tarde serão fundamentais para a sua personagem. Este foi o jogo mais vendido da história da saga, com mais de 11 milhões de cópias vendidas, tendo em 2015 sido publicada a sua primeira sequela, Rise of the Tomb Raider. Neste jogo é introduzida a organização paramilitar Trindade (Trinity), uma antiga ordem de cavaleiros interessada no sobrenatural, e responsável pela morte do pai de Lara Croft. Durante uma viagem à Sibéria, a história torna-se muito mais pessoal do que no jogo anterior, com episódios que contam aspetos da vida de Lara Croft desde a sua infância. Rise of the Tomb Raider não foi tão bem-sucedido em vendas como o seu antecessor, provavelmente por ter sido inicialmente lançado como um exclusivo para a Xbox One e Xbox 360, apenas tendo chegado à PlayStation 4 e ao PC no ano seguinte.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

SHADOW OF THE TOMB RAIDER

Shadow of the Tomb Raider é o capitulo final da trilogia, e o 12º jogo da principal linhagem Tomb Raider. Com base na mitologia Maia e Azteca, a história inicia-se 2 meses depois dos eventos de Rise of the Tomb Raider. Desta vez, Lara procura a lendária cidade perdida de Paititi, enquanto enfrenta a organização Trindade, que a culpa por ter iniciado uma sucessão de eventos que levará a Terra ao Apocalipse profetizado pelo povo Maia. Mais uma vez a atriz Camilla Luddington voltou a ser a escolha para a voz e movimentos da personagem de Lara Croft. Feita a apresentação, só faltava mesmo pormos a nossa perícia à prova, ou seja, viver a aventura de Lara Croft na primeira pessoa.

O menu inicial apresenta-nos um cenário vivo com a nossa aventureira Lara escondida entre a vegetação, no meio de uma floresta tropical. Estávamos perante um jogo que prometia ser muito bom, e nem sequer imaginávamos o que ainda estava para vir.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

As opções do menu aparentam ser simples, mas escondem vários detalhes que se revelam muito interessantes, e que fazem mudar a nossa experiência no mundo de Lara Croft. Para além de poder acrescentar legendas e mudar a língua falada durante o jogo, temos a opção de manter os dialetos originais de cada personagem, o que não acontece na maioria dos jogos, tornando assim a nossa experiência ainda mais imersiva. Outra opção disponível, que também achámos muito interessante, é a possibilidade de configurar o nível de dificuldade do jogo em três aspetos principais, a dificuldade do combate, de exploração e dos quebra-cabeças. Se nas dificuldades mais baixas o jogo adiciona áreas pintadas com tinta branca, sinalizando o caminho que Lara tem de percorrer, já na dificuldade mais elevada, o mapa não apresenta qualquer ajuda, obrigando a uma exploração mais intensiva. Este foi um pedido da comunidade que o estúdio Crystal Dynamics correspondeu. Temos de reconhecer que torna-se muito difícil jogar neste grau de dificuldade, já que as áreas exploráveis são gigantescas e a densa vegetação torna muitos dos elementos impercetíveis. Escolhemos jogar no modo Normal, Rito de Passagem, mais indicado à nossa primeira experiência com o jogo.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Começamos o jogo com Lara Croft numa situação de perigo, acompanhada de Jonah Maiava, o cozinheiro do navio Endurance, na primeira expedição que Lara fez à ilha de Yamatai. A ação desenrola-se dentro de um avião em queda livre, onde Lara é separada de Jonah, um acontecimento que acontece dois dias depois da história começar, e ao qual regressaremos mais à frente no nosso jogo.

De volta ao presente, encontramos Lara presa num fosso entre as rochas. A nossa aventura começa aqui! Com ajuda do comando, somos nós quem temos de libertar Lara e levá-la à superfície. É nesta altura que vemos a nossa heroína, pela primeira vez, em ambiente de jogo controlado pelo jogador. Se já estávamos convencidos com Lara Croft nos dois jogos anteriores da trilogia, esta mostra-se mais detalhada, com um visual ainda mais realista e um carisma natural, de quem é fácil gostar. Na verdade, o estúdio pretendeu criar uma Lara Croft mais vulnerável emocionalmente e humilde, algo que a torna ainda mais humana. Estas características vão ser visíveis ao longo da história, com conversas entre ela e Jonah e reações a acontecimentos marcantes.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Com Lara finalmente a salvo, a câmera mostra-nos o esqueleto de um soldado ainda com a farda e o distintivo da Trindade, o que sugere atividade da organização militar no local, e que fará parte integrante da história. Esta não será a única vez que vemos um cadáver, algo que acontecerá demasiadas vezes ao longo do jogo, fazendo-nos lembrar o pior que nos pode acontecer. De machado em punho, Lara inicia a sua jornada.

Num ambiente de baixa luminosidade, é Lara quem acende a lanterna automaticamente. Um detalhe simpático que nos liberta dessa responsabilidade. Seria extremamente penoso ligar e desligar a lanterna sempre que Lara entra ou sai de uma área mais escura, o que acontece frequentemente.

Os primeiros passos de Lara levam-na ao primeiro obstáculo. Uma parede de escalada vertical onde terá de usar toda a sua destreza. Sem dificuldade, Lara baloiça entre as rochas, com ajuda de dois machados. Aqui, conseguimos apreciar o detalhe dado aos movimentos, que parecem naturais e fluidos. Uma verdadeira obra de arte visual.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Mas se os detalhes técnicos dos movimentos de Lara parecem ser impressionantes, os cenários gráficos dos ambientes de jogo são avassaladores e do melhor que temos visto. Com uma dosagem equilibrada de elementos, nenhum cenário foi construído ao acaso. Todas as secções de jogo são trabalhadas ao mais ínfimo detalhe, com vegetação que coincide com o ambiente, e numa quantidade correta, trilhos e passagens bem inseridas na paisagem, além de construções e monumentos que fazem sentido e preenchem a história. Com visuais impressionantes, dignos de um Óscar, a equipa de fotografia está de parabéns. Não menos importante é a Realização. Com ângulos de câmera pensados ao pormenor, que conseguem captar momentos memoráveis, com cenários e jogos de luzes espetaculares, que nos deixam de boca aberta, o que não é fácil, garanto!

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Ultrapassado o primeiro obstáculo, Lara comunica com o seu amigo Jonah através do rádio, informando do ponto da situação. Nesta altura, Lara encontra um monumento que, após analisado, desvenda pistas que serão cruciais no desenrolar da história. Quando tudo parece calmo, Jonah encontra um explosivo. Tinham acabado de entrar numa armadilha da Trindade. Felizmente ambos conseguem escapar para a superfície, revelando a nossa localização. Estávamos no México, mais propriamente na ilha de Cozumel, nas Caraíbas, durante o Carnaval. É aqui que Lara tenta desvendar a razão da forte presença da Trindade na região. Ao escutar uma conversa, Lara descobre que Dr. Dominguéz não é só o líder da divisão presente no local, mas o líder da Trindade. Intrigada, Lara persegue Dr. Dominguéz para obter mais informações. Entre ruas estreitas, bancas de vendedores, e população local, é possível, mais uma vez, verificar o detalhe na composição do cenário. Com uma decoração requintada, ao mais pequeno pormenor, não faltando a luz das velas e decoração festiva, além dos trajes dos locais, tudo parece encaixar na perfeição, dando uma experiência quase cinematográfica, como se estivéssemos dentro de um filme. O pormenor é tão grande que chega ao ponto de conseguirmos interagir com os locais, mesmo quando provocados de forma propositada e na tentativa de encontrar falhas na conceção do jogo. Algo que nos deixou surpreendidos. A nossa insistência foi infrutífera. Todos os populares com quem tentámos interagir, reagiram de forma credível.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

A perseguição de Lara leva-a à entrada de uma área de escavações. Com o portão fortemente protegido, Lara terá de encontrar outra entrada, o que a leva a mais uma série de obstáculos e perigosos confrontos. Novamente, a dificuldade ainda foi acessível, com instruções a ajudar-nos como superar os vários desafios. Percebemos que estamos num mapa de tutorial, onde cada ação é sugerida através de mensagens que nos indicam o que fazer a seguir. Uma das características de Lara Croft é o seu instinto de sobrevivência, uma função no jogo que permite a Lara analisar rapidamente o ambiente à sua volta, marcando visualmente pontos de interesse ou ameaças, como objetos raros ou inimigos. Esta função é de uso obrigatório e sem limite de vezes, uma vez que é imprescindível para o sucesso de cada missão, além de mostrar o objetivo atual, muito importante para resolver enigmas, e descobrir o caminho a seguir, evitando abrir o mapa constantemente.

Shadow of the Tomb Raider tem um grande foco no combate furtivo, permitindo a Lara esconder-se entre a vegetação, camuflar-se com lama ou incapacitar inimigos de forma silenciosa. Este estilo de combate pode revelar-se útil em situações onde Lara tem de enfrentar múltiplos inimigos na floresta. É aqui também que o seu instinto de sobrevivência tem um papel imprescindível, avisando da presença de inimigos e informando se estes estão a ser vistos por terceiros. Parece-nos aqui evidente a inspiração no mesmo estilo de combate de Metal Gear Solid, uma referência no género de ação furtiva, o que por si só não é negativo. Apreciamos quando um jogo consegue aproveitar o melhor de outros jogos. Para jogadores mais agressivos, é sempre possível correr na direção dos inimigos de arma na mão, o que nem sempre acaba bem.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

A nossa busca por uma entrada alternativa para a área de escavações leva-nos a uma pequena floresta onde Lara descobre o objetivo da escavação, uma pirâmide Maia escondida numa caverna. É aqui que temos a nossa primeira experiência de combate. Dois elementos da Trindade estão prestes a assassinar um arqueólogo local. Tivemos de ser rápidos. Com uso do combate furtivo, escondemo-nos na vegetação mais próxima de um dos elementos, e com a faca em punho neutralizámos o inimigo sem alertar o seu parceiro. De seguida, já com o arco em posição de disparo, seguimos para uma parede próxima e eliminámos o segundo elemento com uma flecha precisa no peito. Os movimentos de ataque transmitem uma sensação de fluidez, com Lara Croft a mostrar algum domínio na técnica de combate.

ARMAS

Em Shadow of the Tomb Raider, Lara utiliza várias armas, onde se destacam três principais: a Faca, o Arco e o Machado de Escalada.

Faca
A primeira arma de Lara é uma faca que utiliza para cortar cordas, descobrir objetos enterrados e eliminar inimigos silenciosamente. A certa altura do jogo, Lara terá de construir a sua própria faca com recursos que o jogo obriga a recolher.

Arco e Flecha
O Arco é a arma preferida desta nova Lara Croft, e ideal para ataques furtivos, uma vez que não faz barulho ao disparar. Dependendo da qualidade do arco, Lara pode apontar e segurar o disparo por algum tempo, acabando por soltar a corda e fazendo um disparo involuntário, se nenhuma ação for tomada. Também é utilizado para prender alavancas ou puxar obstáculos.

Machado de Escalada
Um dos mais importantes elementos do arsenal de Lara são os machados de escalada, que não servem apenas para escalar paredes rochosas. Lara utiliza frequentemente o machado para arrombar fechaduras e baús, além de, por vezes, servir de alavanca, ou descer em tirolesas. Este equipamento pode ser utilizado como arma, com efeitos devastadores, mas só depois de Lara aprender os movimentos especiais desbloqueando habilidades de Guerreira.

Outras armas incluem a espingarda, a caçadeira e o cocktail molotov. Com um arsenal de armas suficiente para este género de jogo, o Arco destaca-se das restantes, não só porque permite várias funcionalidades a Lara, como pelas setas personalizadas que conferem alguma diversidade e opções de ação. Um detalhe que achámos muito interessante para certas situações de combate, é a possibilidade de distrair os inimigos arremessando objetos, atraindo-os para longe do grupo, e assim podermos atacá-los de forma individual.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Continuámos a explorar a floresta, onde Lara pode encontrar pequenos baús e caixas com recursos variados que utiliza para melhorar armas e criar flechas especiais, além de saquear os inimigos derrotados, recolhendo moedas de ouro e munição. A floresta também oferece outros recursos que Lara pode recolher mediante o seu limite máximo, como ramos para flechas, pequenos frutos utilizados para recuperar vida, e peles de animais. Esta interação com o mapa de jogo atribui um realismo especial à personagem, tornando a sua evolução inteiramente dependente do tempo que dedicamos à exploração do mapa.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Outra parte importante da jogabilidade, são os Acampamentos, onde Lara tem acesso a três áreas normalmente inacessíveis durante o percurso do jogo. O Inventário transporta todos os itens e recursos que Lara foi recolhendo, e serve também para melhorar equipamentos, armas e criar novos itens. É no inventário que Lara pode trocar de roupa e definir a arma que quer transportar consigo. A área de Habilidades, permite a Lara utilizar pontos de habilidade conquistados com EXP, e que podem ser trocados por novas habilidades, o que acrescenta um pouco de longevidade ao jogo. Um aspeto que apreciamos é o facto de nenhuma habilidade conferir uma vantagem exagerada. Todas as habilidades que testámos eram equilibradas e apenas traziam novas opções ao jogo. Com uma escolha diversificada de habilidades especificas para guerreira, buscadora e coletora, não nos pareceu conveniente dedicar total atenção a uma única categoria, e preferimos ir desbloqueando as habilidades que mais faziam sentido ao nosso estilo de jogo.

A outra área possível de aceder nos Acampamentos é a de Viagem Rápida, que permite viajar entre acampamentos já descobertos, e assim explorar locais já visitados. Esta opção dá uma nova dimensão ao jogo, pois torna-o quase um mundo aberto, e permite completar todos os desafios e colecionáveis.

Já era conhecido no mundo de Lara Croft o seu talento para o improviso, com a criação de novas armas a partir de recursos que recolhe em diferentes locais. Desta vez, Lara não precisa pode também adquirir tudo o que precisa nos comerciantes que encontra ao longo da sua aventura, bastando para isso possuir algumas moedas de ouro. Como opção também pode vender os itens que não precisa. Este sistema torna mais fácil a obtenção de itens de alto nível, sem necessidade de longas horas de recolha.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

O percurso de Lara leva-nos a uma série de falésias com uma vista fantástica sobre o mar. Felizmente Shadow of the Tomb Raider inclui um modo fotográfico, com o qual podemos tirar a fotografia perfeita, no momento ideal. Além de permitir usar a grua para melhor posicionar o angulo de visão da câmera, podemos ainda escolher molduras, filtros e até mudar a expressão da cara de Lara, além de outras opções de configuração. O resultado pode ser partilhado diretamente nas redes sociais.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Para ultrapassar cada falésia, é necessária toda a nossa habilidade, tanto na escalada das escarpas rochosas, como pelo uso da corda de rapel, uma novidade introduzida neste jogo. Depois de encontrar uma entrada secreta para o interior da montanha, Lara foi confrontada com mais uma série de desafios e armadilhas. A certa altura, a gruta termina num lago, que tivemos de explorar. Uma novidade neste jogo, é a introdução de bolsas de ar subaquáticas, permitindo a Lara respirar entre longas secções submersas. Mais uma vez, o detalhe nos ambientes fez-se notar, com uma fauna colorida, com movimentos realistas, e rodeada de plantas aquáticas que baloiçavam com o movimento de Lara.

No fim do percurso, Lara encontra finalmente o templo subterrâneo, onde nos é proposto o primeiro quebra-cabeças. Com ajuda do instinto de sobrevivência, rapidamente resolvemos o enigma, permitindo-nos chegar ao topo do tempo. Se este enigma nos pareceu fácil, nem sempre será assim ao longo do jogo. A dificuldade e complexidade dos enigmas vai aumentando, chegando a sermos confrontados com puzzles de difícil resolução. Este é um ponto forte na jogabilidade, e um dos que mais apreciamos. Faz sentido existirem diferentes estilos de enigmas num jogo de Tomb Raider, e Shadow of the Tomb Raider executa-os na perfeição.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Outro fator que dificulta a nossa progressão é a escassez de elementos informativos no ecrã de jogo. Para além de uma mensagem que nos é fornecida sempre que encontramos algo novo ou entramos numa nova área do mapa, também somos avisados da quantidade de experiência recebida e itens encontrados. Não existe, no entanto, uma Barra de Vida no ecrã. A situação vital de Lara é ilustrada pelo estado do ecrã e a vibração do comando, o que achamos um método adequado ao estilo de jogo.

Se Lara receber dano, o ecrã escurece, até ficar totalmente acinzentado, quando a personagem está prestes a morrer. Além disso, surgem marcas de ferimentos e manchas de sangue, ocorrendo, por vezes, desfoque da imagem. O modo de recuperação de vida é feito de forma automática, bastando para isso Lara não sofrer mais dano. É importante frisar que, quando ferida, Lara fica mais lenta, desnorteada e fraca, necessitando de repouso ou medicação, uma reação natural e credível quando não estamos de plena saúde, algo que não acontece em outros jogos, onde a personagem, mesmo depois de alvejada, corre com naturalidade.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

No templo, Lara encontra um punhal dourado, a chave de Chak Chel, que, segundo a profecia, inicia uma série de eventos que levam ao fim do mundo. Perante a ameaça da chegada da Trindade, Lara instintivamente retira o punhal, causando um pequeno terramoto no templo. Nesta altura, Lara percebe que algo está errado, mostrando uma expressão preocupada na sua face. Na verdade, Lara consegue reagir com expressões que se adequam ao momento que está a viver, transmitindo emoção e sentimentos apenas possíveis pelo uso de uma atriz real para interpretar a personagem. Este detalhe parece-nos ter funcionado na perfeição, e algo a repetir em futuras produções.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

Com a destruição eminente da gruta, Lara apressa-se para o exterior, onde terá de enfrentar uma série de inimigos, acabando por ser capturada por Dr. Dominguéz, que lhe retira o punhal dourado e a confronta por ter iniciado a profecia. Lara não é perfeita e também comete erros. Provavelmente arrependeu-se de retirar o punhal, algo que a vai atormentar ao longo da história. Este e outros factos mostram profundidade à conceção da personagem, revelando um bom trabalho de storytelling.

Nesta altura, Cozumel é invadida por um tsunami e Lara terá de procurar um ponto alto para se salvar. É no topo de uma igreja que Lara reencontra Jonah e desabafa com ele a culpa que sente por o que tinha acabado de fazer. O capitulo fecha com Lara de joelhos enquanto observa, triste e frágil, toda a destruição e sofrimento que invadiu Cozumel.

Shadow of the Tomb Raider
Shadow of the Tomb Raider. Imagem: DR

A história de Lara prossegue no capitulo seguinte, de volta à cena do avião com que iniciámos o jogo. Após o despiste, Lara irá procurar a cidade perdida de Paititi, onde irá conhecer Unurato, a rainha da cidade. Não vamos revelar mais detalhes da história, mas podemos adiantar que é densa, sombria e envolvente. Uma combinação que resulta num jogo de aventura ao estilo Tomb Raider.

BANDA SONORA

A banda sonora transporta-nos para o mundo de Lara Croft, com uma orquestração imersiva e muito presente no jogo. O tema principal é marcante e bem composto. Os sons do jogo refletem os momentos com a intensidade correta, acelerando durante as batalhas, e acalmando durante as fases de exploração, ou nas conversas dos protagonistas, dando uma sensação de imersão total. A música parece acompanhar os sons da floresta, das ondas, dos animais, do vento, e das árvores, numa mistura bem conseguida. Shadow of the Tomb Raider é ainda mais valorizado pela sua banda sonora, que consegue embalar os grandes momentos.

VEREDITO

Shadow of the Tomb Raider é uma verdadeira obra de arte visual, com paisagens deslumbrantes, cenários incríveis e uma arquitetura que enriquece os ambientes de jogo de forma convincente. Com monumentos incrivelmente detalhados, o aspeto visual não se esgota nas grandes estruturas. Até o mais pequeno objeto no jogo recebeu a atenção da equipa de design. São exemplos os vários cardumes que encontramos em ambiente aquáticos, ou os monólitos de pedra em grutas ou nas florestas.

A jogabilidade não fica atrás. Os movimentos fluidos de Lara Croft, durante escaladas, corrida, mergulho e cenas de combate, são tão naturais e equilibrados que parece estarmos diante de uma pessoa real. Na verdade, Lara é interpretada por uma atriz, uma associação bem-sucedida e com resultados visíveis no jogo. Mas, se Lara é eximia nas acrobacias, já o número de obstáculos que tem de ultrapassar, parece-nos por vezes algo exagerado, tendo em conta o fator de realismo que o jogo tenta imprimir.

Lara Croft mostra-se mais sensível, com reações ajustadas aos acontecimentos mais marcantes no jogo. Não sendo perfeita, também comete erros, com consequências que terá de enfrentar, algo novo na franquia. Nem sempre pacifica, Lara apresenta uma personalidade mais sombria, enquanto se transforma na Tomb Raider que “estava destinada a ser”, segundo as palavras de Daniel Bisson, Senior Game Director de Shadow of the Tomb Raider.

Com uma narrativa centrada em Lara Croft, a história do jogo foi desenvolvida com o apoio de historiadores e especialistas culturais, que deram uma importante contribuição, tornando o jogo mais realista e até didático. O resultado foi uma história cativante, capaz de prender qualquer jogador ao ecrã durante horas, e nós somos exemplo disso mesmo.

Paisagens, história e jogabilidade unem-se para criar a experiência mais imersiva jamais feita para a saga Tomb Raider. Uma verdadeira obra prima, quase genial e imperdível para qualquer fã das aventuras de Lara Croft.

Com uma história intensa, visuais deslumbrantes e uma dinâmica de jogo fora série, Shadow of the Tomb Raider é provavelmente o melhor jogo de sempre da saga Tomb Raider, e um dos candidatos a jogo do ano. Resumindo, um jogo soberbo com visuais de cortar a respiração.

Esta análise foi baseada na versão do jogo para PlayStation 4. Uma cópia foi gentilmente cedida pela Ecoplay.

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Positivo
Visuais deslumbrantes
História cativante
Jogabilidade fluida, com movimentos naturais
Possibilidade de explorar os mapas livremente
Existência de side quests, túmulos secretos e personalização de itens.
Negativo
Não inclui modo multiplayer
Demasiados obstáculos em certas partes do mapa
9.3
Excelente

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