Análise: Dead or Alive 6

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Os combates com as personagens mais carismáticas, as combos devastadoras e os knockouts com visuais impressionantes, completam o novo Dead or Alive 6, um hino à fantasia, com muita ação e movimentos de artes marciais que desafiam a física. Mas sejamos francos, o apelo inicial da saga Dead or Alive nunca foi as batalhas épicas, ou os movimentos e jogabilidade de outro mundo, que rivalizam com os grandes mestres das artes marciais. Pelo contrário, o que parece ter garantido o sucesso da saga ao longo dos anos foi a forma criativa e até exagerada como as curvas femininas eram representadas no jogo. São exemplo as lutadoras como Ayane, Helena Douglas, Kasumi, ou Sarah Bryant, que garantiram o entusiasmo dos fãs, e que tornaram possível a origem de spin-offs como Dead or Alive Xtreme Beach Volleyball. Com uma fama que a precede, a saga Dead or Alive acabou por ser conhecida pelo seu conteúdo sexualizado, motivado pelas figuras femininas com roupas reduzidas, que acabam por ser parcialmente destruídas durante as batalhas, sendo, no entanto, também apreciada pela sua componente técnica de luta e de ação. Com um sucesso de mais de 2 décadas, acreditamos que Dead or Alive 6 não será certamente a última edição da saga.

A saga DOA

Dead or Alive é uma série de videojogos de luta, desenvolvida pelo estúdio Team Ninja e produzida pela Koei Tecmo. O primeiro jogo da saga foi lançado no já longinco ano de 1996, para as máquinas de arcade e também para as consolas PlayStation e Sega Saturn. Com uma jogabilidade rápida e já em 3D, distinguia-se da concorrência por utilizar um sistema invulgar de controlos, um inovador sistema de contra-ataques e apresentar muitas raparigas lutadoras com roupa reduzida. Em Dead or Alive, um conjunto de praticantes de artes marciais participa num torneio com o mesmo nome organizado pela DOATEC. Com razões e motivações pessoais diferentes, as várias personagens confrontam-se para vencer o prestigiado torneio.

Saga Dead or Alive
Saga Dead or Alive. Imagem: DR

No ano 2000 foi lançada a primeira sequela, Dead or Alive 2, para a Dreamcast, PlayStation 2 e também, mais uma vez, para as maquinas de arcade. A história do jogo passa-se um ano após o torneio da edição anterior, com novos lutares e uma nova ameaça, a criatura Tengu. A nível de jogabilidade, destacou-se pela introdução do sistema de ‘Tag Team’, que permitia realizar combos ou ataques combinados com outra personagem, quando utilizado no momento certo. Este sistema não foi continuado no novo jogo.

Desde então a saga Dead or Alive recebeu inúmeras sequelas, com destaque para Dead or Alive 4 de 2005 e Dead or Alive 5 Last Round de 2015, assim como spin-offs, sendo o mais famoso um jogo de voleibol, Dead or Alive Xtreme Beach Volleyball.

Dead or Alive 6

Dead or Alive 6

O ‘sex appeal’ já não está tão presente como nos dias em que teríamos de introduzir a nossa idade antes de podermos jogar. Dead or Alive 6 é essencialmente um jogo de luta. Parece que a Team Ninja reconheceu os sinais dos tempos e percebeu que face à concorrência de Tekken 7, Soul Calibur 6 ou Injustice 2, não bastaria apenas desenvolver um jogo de luta com base no ‘sex appeal’ para cativar os jogadores. Nunca podemos fugir totalmente ao passado, e a dinâmica das personagens, o suor a pingar ou as roupas que podem ser rasgadas durante as batalhas, chamam a atenção novamente para as curvas das lutadoras e as origens da saga. Mas a experiência de combate está claramente de novo no centro da ação.

Jogabilidade curvilínea

A nova aposta nas mecânicas de luta é muito visível no núcleo do jogo, até mais do que no seu antecessor. Com apenas cinco botões, podemos conseguir mais de 100 combinações de ataque, para cada personagem. Um feito de facto impressionante! Para atingir tantas combinações é essencial invocar vários ataques em cadeia e, em alguns casos, suplementar os movimentos com alguns botões de direção. Acrescentando a isto os bloqueios e arremessos, atingimos um generoso nível de personalização para o nosso estilo de luta.

Dead or Alive 6
Dead or Alive 6. Imagem: Koei Tecmo Europe

Com tantos movimentos por segundo, notamos que por vezes a anatomia dos nossos lutadores é deixada de parte, e se pararmos numa frame de luta, chegamos mesmo a ver as personagens com o tronco completamente torcido. Só pode ser fruto de muita ginástica e muitas horas de treino! No entanto, a fluidez dos movimentos, uma das imagens de marca da saga, continua sublime.

Dead or Alive 6 introduz um novo elemento no universo da saga. Os ataques especiais ‘Break Blow’, que são geralmente acompanhados do típico Slow Motion. Para serem ativados é necessário encher primeiro a barra indicadora de ‘Break’, e uma vez utilizados, causam dor e devastação sem precedentes. Com tantas possibilidades de ataque e defesa, os novatos ou mesmo os ‘Button Mashers’ mais experientes, podem rapidamente destruir o adversário, especialmente contra uma IA com um modesto nível de dificuldade e bastante contida na resposta.

Dead or Alive 6
Dead or Alive 6. Imagem: Koei Tecmo Europe

Para aqueles jogadores que se sentem capazes de atingir um nível de jogo superior, Dead or Alive 6 oferece ainda um modo de treino. Aqui podemos aprender como executar contra-ataques, aplicar críticos, além de tudo um pouco. Assim que entramos em maior detalhe na jogabilidade, as principais fraquezas de Dead or Alive 6 ficam também mais evidentes. Uma delas é a fraca qualidade de algumas das animações de luta. As nossas personagens executam alguns movimentos impossíveis, onde partes do corpo se parecem fundir, ou girar em direções não humanas.

Infelizmente, além de afetarem a experiência visual, alteram também a forma como as Hit Boxes são calculadas, o que até pode ser engraçado se estivermos a jogar de forma casual com um opositor humano, mas torna-se rapidamente frustrante contra a IA ou num estilo mais competitivo.

Não menos importante é a estreia do novo palco de Dead or Alive 6, o DOA Colosseum, uma arena suspensa, circular, com cordas elétricas que causam dano adicional quando são tocadas por um lutador. Inserida num ambiente espetacular, esta nova arena renova o design do grande palco de combates de Dead or Alive, introduzindo novas mecânicas que intervêm no confronto.

Dead or Alive 6 - DOA Colosseum
Dead or Alive 6 – DOA Colosseum. Imagem: Koei Tecmo Europe

Os efeitos sonoros e a música, embora não sejam o elemento mais importante neste género de jogo, também não comprometem, acabando por completar a experiência. Se a música pode ser desligada, já os efeitos sonoros são fortemente recomendados. Não só dão vida a cada ataque, como nos dão indicações da eficácia de cada golpe. Apesar de Dead or Alive 6 não introduzir nada de novo nesta categoria, apresenta o necessário para uma boa experiência de jogo.

Muitos modos de jogo mas ainda mais roupa

Existe muito para fazer em Dead or Alive 6. Além das opções clássicas de treino e duelo, dispomos ainda de mais algumas opções de jogo para nos mantermos entretidos. Os típicos arcade, sobrevivência ou Time Attack também estão presentes. O modo Spartan Online é infelizmente uma experiência demasiado frustrante para relatar. A lag é demasiada, existe atraso na reação dos bonecos, e isso impede que joguemos com alguma fluidez. Pelo menos foi essa a experiência que tivemos nesta fase inicial. Ainda assim, acreditamos que melhore no futuro, quando o número de jogadores estabilizar.

Dead or Alive 6
Dead or Alive 6. Imagem: Koei Tecmo Europe

Numa abordagem um pouco mais original e novamente offline, encontramos o DOA Quest, um modo de desafio com mais de 100 lutas onde podemos desbloquear algumas recompensas, como moeda do jogo ou padrões para as vestimentas. Para recebermos todos os bónus de cada uma das missões, teremos de cumprir três objetivos especiais que variam conforme o oponente.

As missões são tantas (pelo menos 200) que se torna um pouco cansativo e repetitivo tentar desbloquear todos os elementos extra. Percebemos que não devia ser demasiado fácil, mas para complicar não tem de se tornar entediante. Este é um problema que também acontece no modo história, não tanto pelo tamanho ou número de lutas, mas especialmente porque não temos o drama ou a construção de personagem de outros jogos semelhantes. Em Dead or Alive 6 assistimos a sequências que mais parecem vindas do cinema ‘chiclete’, com falas nem sempre coordenadas com a boca das personagens e com desculpas esfarrapadas para lutar.

Dead or Alive 6
Dead or Alive 6. Imagem: Koei Tecmo Europe

Por mais estranho que posso parecer, este estilo até encaixa no design das personagens, com um efeito de humor talvez propositado. Sabemos que a Koei Tecmo Games aposta no aspeto e vestuário das personagens, mais do que elas dizem durante as poucas animações que o jogo oferece. Para isso basta reparar que grande parte da estratégia de negócio do jogo é centrado nesta área, mas ainda assim a história podia estar mais bem escrita, com argumentos e enredo que justificassem os constantes confrontos.

O Season Pass de Dead or Alive 6, que custa cerca de 90€ (mais do que o próprio jogo), vai dar acesso a duas novas personagens e a mais de 60 novas roupas: DoA 6 Happy Wedding Costumes Vol. 1 e 2, DoA 6 New Costumes set Vol. 1 e 2, e dois lutadores adicionais, fruto da colaboração da produtora com a SNK. Um número surpreendente! Todo o conteúdo do Season Pass 1 será disponibilizado entre março e junho de 2019. Para quem não quiser comprar o jogo duas vezes, pode adquirir os itens de forma individual. Infelizmente o Season Pass não garante acesso a todos os DLC lançados durante o período da sua duração, o que, tendo em conta o preço, parece-nos pouco. Se juntarmos a isto os 20 trajes incluídos na versão Deluxe, a oferta de roupas é quase ilimitada, mas ficamos apenas por aí. O jogo base já nos dá opções de personalização suficientes, mas suspeitamos que as roupas mais apertadas, ou mais sugestivas, serão certamente as que estão reservadas para o Season Pass.

Esta não é uma estratégia nova ou errada, muitos outros jogos baseiam-se em Skins como a sua principal fonte de rendimento. Exemplos desta estratégia são títulos como o CS:GO, LoL ou Dota 2. Ainda assim, achamos que não faria mal nenhum apostar um pouco mais na história e na credibilidade das animações e das personagens.

Dead or Alive 6
Dead or Alive 6. Imagem: Koei Tecmo Europe

VEREDITO

Quando comparamos a experiência de combate de Dead or Alive 6 com a do seu antecessor, existe claramente uma melhoria, e nesse aspeto a Team Ninja está de parabéns. O modo online Spartan não pode marcar pontos positivos. Com uma lag bem prenunciada, e atrasos nos movimentos que são claramente visíveis, pelo menos nesta fase de lançamento, este é um modo ainda não jogável.

No entanto, em offline, o sistema de combate é tão amigável quanto profundo, e bastante acessível para os novos jogadores. Se quisermos aprofundar os movimentos, temos uma ampla lista de combos e bloqueios para aprender, algo que nos agrada neste tipo de jogo. Afinal de contas temos de retirar algum prazer em decorar dezenas de combinações, e poder dar uma surra nos nossos amigos.

Infelizmente, as ocasionais falhas nas Hit Boxes e no realismo das animações, colocam em causa a qualidade da jogabilidade. Os modos de jogo são abundantes, mas as variações já são conhecidas e o modo de história peca por apresentar uma narrativa pobre.

Com muitas roupas e principalmente com uma jogabilidade melhorada, este é um dos melhores Dead or Alive de que nos lembramos, e um respeitável jogo de luta. Perante concorrência como Tekken ou Soulcalibur, Dead or Alive 6 fica um pouco aquém em alguns aspetos técnicos, mas irá certamente agradar aos fãs da já longa série.

Esta análise foi baseada numa versão para a PlayStation 4.

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Positivo
Novos e melhores gráficos.
Jogabilidade ligeiramente melhorada.
Muitas personagens com grande personalização.
Nova arena que intervém no combate.
Negativo
Online demasiado lento e com falhas.
Season Pass não garante todos os futuros updates.
Não inova o género de luta.
Sistema de dano apresenta problemas.
7.6
Bom

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