Análise: Crash Team Racing: Nitro-Fueled

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Crash e amigos estão de volta depois de 20 anos do título original Crash Team Racing, um exclusivo PlayStation desenvolvido pela Naughty Dog. O marsupial animado, que durante anos foi considerado a mascote da PlayStation, à semelhança de Mario para a Nintendo, volta agora para nos proporcionar horas intermináveis de corridas desenfreadas a alta velocidade, novos amigos na linha de partida e, talvez, algumas amizades desfeitas junto da linha de meta. “Tinhas mesmo de me fazer explodir?!” – parece que nunca conhecemos verdadeiramente alguém até jogarmos Crash Team Racing: Nitro-Fueled!

Depois de ter sido anunciado durante a cerimónia dos The Game Awards em dezembro de 2018, a nova aventura de Crash Bandicoot, chega agora com um aspeto remodelado, uma jogabilidade melhorada e muito mais conteúdo. Após alguns meses de espera, e de termos a oportunidade de experimentar algumas corridas em primeira mão durante o MOCHE XL Esports 2019, finalmente chegou o dia de pegarmos no volante do kart de Crash, na versão completa do remake do título de 1999, lançado originalmente para a primeira consola da PlayStation.

Crash Team Racing
Crash Team Racing. Imagem: DR

Crash está definitivamente de volta! Em 2017 surge Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, um remaster que inclui os três primeiros títulos de plataformas da saga Crash Bandicoot, que fez ressurgir um dos clássicos exclusivos da PlayStation, agora para as consolas da atual geração. Se este lançamento não fosse suficiente para recordarmos as aventuras de Crash, o novo remaster de corridas de kart, confirma a aposta da Activision neste felpudo marsupial do mundo digital.

Mergulhar no passado dos videojogos enquanto nos injeta altas e novas doses de nostalgia em estado puro, parece ser o objetivo de Crash Team Racing: Nitro-Fueled, mas será isso suficiente para criar um jogo divertido e interessante a longo prazo? Apertámos o cinto e pisámos o acelerador para descobrir!

Crash Team Racing Nitro-Fueled

Crash Team Racing: Nitro-Fueled

Em 1999, a primeira consola da PlayStation aproximava-se do seu fim de vida, algo que viria mesmo a confirmar-se com o lançamento da PlayStation 2 no ano seguinte. De entre os muitos jogos que mantiveram a primeira consola da Sony viva, até ao seu último suspiro, Crash Team Racing tem, sem dúvida, um destaque especial.

Depois do sucesso que Super Mario Kart, e ainda mais, Mario Kart 64, tinham atingido nas plataformas da Nintendo, todas as produtoras olhavam para este género com algum interesse, e procuravam produzir as suas próprias alternativas. Obviamente, a Sony PlayStation tinha também de oferecer o seu próprio jogo de karts, e coube à Naughty Dog a tarefa de adaptar ao género o seu maior sucesso até ao momento, a saga Crash Bandicoot. Com alguma surpresa, o produto dos seus esforços foi de notável qualidade: engraçado, nervoso e muito completo, Crash Team Racing estabeleceu-se como um dos principais jogos dos últimos anos de vida da PlayStation. Infelizmente, este seria também o último jogo do estúdio à frente da franquia, uma vez que, depois de algumas trocas de dono menos bem-sucedidas, a licença acabaria por cair num sono profundo, para desespero dos fãs.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: Activision

Em 2018, e provavelmente devido ao sucesso alcançado por Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, a Activision anunciou o desenvolvimento de um remake de Crash Team Racing. O legado de Crash Team Racing parece algo pesado de acompanhar, e nem sempre é fácil satisfazer um público que procura novas doses de nostalgia, ao mesmo tempo que tentamos aproximar novos públicos. A difícil tarefa foi entregue à Beenox, um estúdio já responsável por vários remasters e ports, e com uma participação em Spyro Reignited Trilogy, também este um remaster de um clássico da consola da Sony. Isto promete!

Um Remaster de Raiz

Embora Crash Team Racing: Nitro-Fueled seja por vezes apresentado como um ‘Remaster’, ou um ‘Remake’, a verdade é que este foi um jogo criado completamente de raiz, tal como aconteceu em Crash Bandicoot N. Sane Trilogy. Este detalhe é muito importante! Se por um lado, trabalhar com um novo motor de jogo imediatamente abre portas a melhorias gráficas tremendas, por outro, a jogabilidade será necessariamente diferente, e isto vai um pouco ao lado do que deveria significar a palavra ‘Remaster’. Tudo isto pode ser esquecido se a jogabilidade mantiver um alto nível, mas sobre este tema já lá iremos…

Graças ao novo motor, Nitro-Fueled apresenta novos visuais de última geração, reutilizando parte das tecnologias utilizadas nas compilações de Crash Bandicoot e Spyro, publicadas nos últimos dois anos. Para além de adicionar novos conteúdos, incluindo um novo modo online, Crash Team Racing: Nitro-Fueled também inclui todos os personagens, músicas, arenas de batalha, personalizações de karts e modos de jogo de Crash Nitro Kart, e ainda vários karts e skins de personagens de Crash Tag Team Racing.

Com tanto por explorar, e visto que estamos perante um jogo muito completo em conteúdo, Nitro-Fueled mais parece uma verdadeira sequela desenvolvida por outro estúdio, uma espécie de ‘Crash Team Racing 2’, do que propriamente um remake de um jogo anterior. Neste caso em particular, isto é definitivamente uma boa noticia. Já passaram 20 anos desde que jogámos o original, que, mesmo passado tantos anos, continua a ser um jogo atraente, pelo que um simples remake com skins e texturas melhoradas seria um desperdício de potencial.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: PlayStation Portugal

De Regresso ao Passado

Mesmo tratando-se de um novo jogo, logo desde o inicio sentimos que o prazer de jogar Crash Team Racing permaneceu intacto ao longo dos anos. Pode dizer-se ingenuamente que, com a idade, as experiências de infância ficam mais distantes e por vezes esquecemos a grande diferença de qualidade, principalmente no visual e na jogabilidade dos jogos, em contraste com os jogos dos dias de hoje. Mas neste caso isso nem interessa. Depois de apenas algumas horas, as recordações regressam umas após outras, e quase parece que voltámos a 1999, mas desta vez em HD!

Crash Team Racing Nitro-Fueled não só é bonito visualmente. Seja pelas texturas, os efeitos de luz e, principalmente por uma direção artística mais moderna e rica, nesta nova adaptação é notório o enorme cuidado que o estúdio demonstrou com os detalhes, geralmente aplicados com inteligência. Embora alguns circuitos sejam um pouco menos vivos do que, por exemplo os de Mario Kart 8 Deluxe, a maioria está cheia de pequenos detalhes que não existiam antes. Espectadores, animais selvagens, fogos de artifício, existe de tudo um pouco, e o mínimo que podemos dizer é que foram bem-sucedidos: o novo CTR Nitro-Fueled é uma explosão de cor.

Os circuitos Papu’s Pyramid e Tiny Arena merecem um destaque especial, uma vez que aproveitam ao máximo o novo estilo visual, e estão mais atraentes do que nunca. A Beenox fez um excelente trabalho na adaptação das pistas, e neste ponto, Nitro-Fueled oferece tudo o que se poderia esperar de um remaster de CTR. Os fãs não ficarão dececionados.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: PlayStation Portugal

Jogabilidade Simples e Intuitiva

Antes de avançarmos mais, convém analisarmos todos os sistemas de jogo, e algumas peculiaridades mecânicas que distinguem a jogabilidade de Crash Team Racing da bem conhecida concorrência. O comportamento básico dos karts não é muito diferenciado, podendo ser dividido em quatro diferentes categorias, dependendo do total de mais de 30 pilotos que podemos selecionar. Os controlos são muito diretos, e as diferenças entre as categorias de karts são muito subtis, variando ligeiramente a aceleração, a velocidade máxima, ou a agilidade de cada veículo, mas sempre de forma bem equilibrada.

Realmente importante é a dinâmica de combate. Aqui, existem dois mecanismos vitais para atingirmos o sucesso em qualquer corrida. O primeiro passa por apanharmos os Wumpa Fruit, as pequenas maças que já nos acompanham desde o inicio da saga Crash. Podemos transportar até dez destas frutas ao mesmo tempo, e esta soma não afeta apenas a velocidade máxima do nosso kart, como o poder dos power-ups (sistemas de armas usados ​​para manter a competição sob controle). O segundo passa pelas próprias armas e habilidades especiais de cada veículo. Um exemplo são os TNT verdes que podemos largar durante a corrida, as perigosas caixas de nitro que explodem ao primeiro contacto. Esta é uma das modificações de combate disponíveis, num total de onze power-ups, dois dos quais estão disponíveis apenas no modo de combate.

Ainda mais importante é o uso do drift, que difere muito claramente do habitual em jogos do seu género. Devido ao facto de ser ativado com os botões superiores do comando, pode ser um pouco confuso de aplicar corretamente, principalmente por alguma proximidade de botões. Infelizmente o jogo não permite uma completa personalização do mapa de botões, pelo que somos forçados a utilizar um dos sistemas pré-configurados para conduzir e derrapar. Uma utilização perfeita do sistema, permite até três ‘turbos’, e um significativo aumento de velocidade. Infelizmente as derrapagens podem tornar-se algo imprevisíveis em certas situações, o que talvez seja expectável de um jogo que não é de forma alguma um simulador, mas sim um arcade para momentos divertidos.

Não tão importante quanto as derrapagens, é a mecânica de atalhos e rampas, algo que exige bom conhecimento das pistas para o seu perfeito aproveitamento. Este é também um regresso do CTR original, e uma das características mais interessantes ao jogar com amigos. O que distingue um bom piloto de jogos de corrida, de um bom jogador de Crash Team Racing: Nitro-Fueled? O número de atalhos que utiliza! As rampas, em particular, se utilizadas no momento certo, garantem um pequeno ‘boost’ de velocidade na aterragem, que, aliado aos drifts e boa trajetória, podem fazer toda a diferença entre o 1º lugar no pódio, ou um frustrante meio da tabela.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: PlayStation Portugal

Uma Grande Aventura

Tal como no seu antecessor, é no modo Aventura que começamos o jogo. O alienígena Nitros Oxide, que acredita ser o piloto mais rápido da galáxia, apresenta um curioso desafio a todos os habitantes do planeta Terra. No que apelida de “Survival of the Fastest“, Nitros desafia o melhor piloto da Terra para competir contra ele. Se o piloto da Terra vencer, ele promete deixar a Terra em paz, mas se Nitros Oxide vencer, a Terra será transformada num parque de estacionamento gigante e todos os terrestres serão escravizados.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: Activision

É possível escolher entre duas configurações, o Modo Classic ou o Modo Nitro-Fueled. Este último permite que os jogadores troquem de piloto e personalizem os karts em tempo real, tornando o modo um ótimo lugar para testar os pontos fortes e fracos dos vários carros. Além disso, acrescenta ainda algum conteúdo relativo a Crash Bandicoot: The Vengeance of Cortex, lançado em 2001 para a PS2. Até por aqui percebemos que a equipa de desenvolvimento do estúdio Beenox fez bem o seu trabalho de casa.

Um Crash na IA

A IA parece pouco trabalhada. Se escolhemos o modo de aventura clássico, onde definimos um piloto e não temos nenhuma forma de ajustar o nível de dificuldade até terminar a história, ou o novo modo Nitro-Fueled, que nos permite trocar de piloto entre as corridas e definir o nível de dificuldade, a IA apresenta um problema preocupante, especialmente para quem joga em singleplayer.

No mais fácil dos três níveis de dificuldade, até os iniciantes neste tipo de jogo, dificilmente terão qualquer problema em vencer quase todas as corridas, mesmo que não usem o turbo drift de todo, ou utilizem apenas esporadicamente. No entanto, no nível Médio e Difícil, ou no nível padrão do modo Clássico, a IA, juntamente com o fator de aleatoriedade dos power-ups distribuídos, é no mínimo um pouco suspeita. Temos uma sensação frequente de que os NPC preferem atacar-nos do que a outros pilotos. Também, quando vamos na liderança, é demasiado comum recebermos armamento de ataque, em vez de itens defensivos que nos seriam mais úteis, enquanto a concorrência parece sempre apetrechada de mísseis balísticos teleguiados. Pode até ser uma coincidência, mas existe claramente um desnível demasiado grande entre os três patamares de dificuldade, que parece estar mais direcionado ao combate do que à condução.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: Activision

A Aventura não termina

O jogo original já estava bem apetrechado, mas o novo Crash Team Racing: Nitro-Fueled introduz mais de 10 novos personagens, incluindo o próprio Nitros Oxide. Há também novos circuitos, uma personalização completa dos karts, que inclui chassis, rodas e pinturas, que infelizmente tem efeitos apenas cosméticos, e, uma surpresa… sabemos também que em julho chega o dragão Spyro, como personagem jogável! Em suma, é uma avalanche de conteúdo, que garante um grande número de horas para desbloquear, e muitas outras de pura diversão.

Mesmo que já tenhamos vencido o veloz Nitros Oxide, a diversão não se fica por aqui. Podemos regressar a qualquer pista, aceitar os desafios de tempo, capturar as letras C, T, R, escondidas em cada mapa, e desafiar jogadores humanos em partidas locais ou pela Internet. Capture the Flag e Last Man Standing são apenas algumas das opções de jogo que garantem diversão mesmo a médio e longo prazo.

Como um incentivo adicional, podemos ganhar moedas bónus em todos os modos de jogo. Estas, por sua vez, podem ser usadas na loja para desbloquear opções adicionais de personalização para os pilotos e karts. Embora estas mudanças sejam apenas de natureza cosmética, e não afetem o comportamento dos veículos durante a condução, acrescentam uma motivação extra e algum gosto pessoal. Até ao momento, as moedas são apenas colecionáveis através do jogo, onde os duelos online garantem as maiores quantias. No entanto, com o notório foco na personalização, não podemos por de parte que a Activision acabe por colocar no jogo as famosas microtransações ou packs de moedas. Só o tempo o dirá.

Crash Team Racing Nitro-Fueled
Crash Team Racing Nitro-Fueled. Imagem: PlayStation Portugal

VEREDITO

Rotulado como um ‘remake’, as comparações de Crash Team Racing Nitro-Fueled com o original CTR eram inevitáveis. Crash Team Racing é um clássico da PlayStation de 1999, e provavelmente um dos títulos de destaque no seu género. Na altura, desenvolvido pela Naughty Dog, a tarefa de fazer renascer um titulo que transporta este importante legado, podia ter sido um desastre. Felizmente, o conceito parece funcionar tão bem hoje, como há 20 anos, e a Beenox fez um excelente trabalho na recriação do estilo arcade divertido de Crash que já conhecíamos. Os cenários são impressionantes e sempre fluidos. A atenção aos detalhes visuais, é também um dos pontos fortes desta adaptação, que encaixa que nem uma luva no estilo de aventura apresentado. Para os jogadores mais solitários, apenas a ligeira inconsistência na dificuldade da IA poderá ser um problema, mas é algo a que nos podemos habituar.

Embora apresente um sistema de drifts e turbos algo incomum, e que raramente permite erros, Nitro-Fueled mostra uma jogabilidade simples e intuitiva o suficiente para agradar a todos os tipos de jogadores. Aliado a um amplo sistema de personalização, uma enorme lista de personagens jogáveis, muitos modos de jogo e desafios para completar, e um certo sentido de humor, Crash Team Racing Nitro-Fueled é uma enorme aventura preparada para nos divertir durante muito tempo.

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Positivo
Design de pistas muito variado com mais de 30 circuitos e arenas de combate.
Modos multiplayer online e local com ecrã dividido.
Mais de 30 personagens jogáveis, com mais a caminho.
Excelente banda sonora, que inclui a original de 1999.
Visuais muito atrativos e uma grande atenção aos detalhes.
Negativo
Não existe controlo total na configuração de botões.
A IA parece por vezes tendenciosa e algo desequilibrada.
Tempos de carregamento podem ser elevados.
8.5
Muito Bom

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